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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Alvina Gameiro

É sempre bom conhecer um pouco de nossa história. Hoje o Teresina Web Press traz ao você um pouco da obra de Alvina Gameiro, escritora e poeta piauiense, nascida em Oeiras,1917.Neste ano, o Salão do Livro do Piauí - SALIPI faz uma homenagem a autora.


Dentre os livros publicados estão:


15 contos que o destino escreveu (Conto 1970);

A Vela e o temporal (Romance e Novela 1957);

Chico Vaqueiro no meu Piauí (Poesia cordel 1971);

Contos do sertão do Piauí (Conto 1988);

Curral de serras (Romance e Novela 1980);

O Vale das Açucenas (Romance e Novela 1963).


Leia agora um trecho da obra Orfeão de sonhos (Poesia 1967), de Alvina Gameiro:




CHICO VAQUEIRO DO MEU PIAUÍ

Fortaleza: Editora Henriqueta Galeno, 1971



VI


O Vaqueiro de pé, tem ares de um vigia,
erguido no terreiro, amarrado à magia,
de um sonho fascinante, eivado de poesia...

Em palor o clarão da tarde se resume;
já começa a dançar no espaço o vaga-lume;
as estrelas no céu acenderam seu lume
até que o dia surja entre os braços da aurora.
Diáfana beleza empolga o campo a fora
e o concerto do vento está parando agora.

A noite vai tomando o coração da mata;
a gentil açucena em néctar se desata.
Apenas, no silêncio, há notas de sonata,
que os sapos, em mil sons, rouquejam sem parar,
pois têm cada vivente em meio de saudar,
mostrando aos corações um jeito de agradar...

O esplendor do luar, que mais e mais fulgura,
de prata banha inteira a máscula figura,
tão imóvel que até nos lembra uma escultura
de guerreiro lendário ou místico profeta...
É que o Vaqueiro escuta em meio à noite quieta,
sua alma que se dá a cantares de poeta...

Tem BA boca apagado o coto do cigarro;
ouve atento o cri-cri desse grilo bizarro,
cantador do gramado ou da frincha de barro,
e lhe vem à cabeça a existência suprema
de um Deus que fez o amor, que da vida é o emblema,
como a rima de luz é a essência de um poema...

Falando à Natureza, ele pergunta apenas,
por que foi que o <> molhou com tantas penas
as delícias do amor nas estradas terrenas?
Com que fim acordou a estranha comoção
que sente sem querer, tomar-lhe o coração
e é misto de prazer e de atribulação?!...

E Chico sabe, sim, que este amor vinga e cresce
e se o tenta esconder, tanto mais aparece
e quanto mais na sombra, então, é que floresce...



XI


Quando o inverno chegou, alastrou-se a fartura;
o campo se cobriu inteiro de verdura,
e a chuva que fecunda a terra e a planta cria,
no peito pastoril, desabrocha a alegria.

E chove sem parar, e chove noite e dia.
a lavoura crescida ao toque da invernia,
rebenta em floração, e os imensos trançados
cobrem de jitirana as cercas dos roçados.
Emboneca-se o milho, o arrozal cacheia,
e de grandes melões a roça se faz cheia,
maxixe e melancia estendem cabeleiras
na estrada que ficou entre os seios das leiras.

Os rio colossais a essa hora já transbordam
sobre várzeas sem fim, onde as reses engordam.
Há lagoas brilhando entre o verde capim,
e reúnem-se ali, em perene festim,
comendo a trabalhar, pássaros ribeirinhos,
para o ninho fazer e esperar os filhinhos,
mostrando, na lição, a sábia Natureza
que antes da geração se faz o abrigo e a mesa.

Na alcatifa do campo há milhares de flores
desiguais em tamanho, em feitio e nas cores;
é a toalha pintada em estilo divino,
a dizer o <>, na grandeza do ensino,
que não fez distinção semeando os engodos,
no banquete do mundo onde o assento é de todos,
e do néctar do amor, que é o pólen da criação,
Deus serviu a toda a alma um brinde de emoção.

Que beleza é a pupila azul do firmamento,
lacrimejando amor, vazando o juramento
do verde que em fartura espraia, nasce e cresce
no campo, nos vergéis, na caatinga e na messe!...



XIV



E junho veio enfim, e como ele a moagem,
o ruído do engenho e as cheirosas tachadas.
E junho veio enfim, concedendo a hospedagem
aos que costumam vir brindar as vaquejadas.

Convidam-se ao redor, os vizinhos amigos,
e os vaqueiros que vêm testar a valentia.
Agregados se dão ao preparo de abrigos
Que vão dar cobertura aos heróis da porfia...
Entrega-se à alegria o povo da Fazenda.
Há latidos de cães no paio da morada
e os homens conversando, enquanto armam a tenda,
põem-se a rememorar casos de vaquejada.

Adiante, esfolam bois para fazer tassalhos
e o machado golpeia, enquanto o facão talha.
Na cozinha, onde alguém resmuninha entre ralhos,
rude não de pilão, sobre a paçoca, malha.
E do forno de barro, arrastam cinza e brasa
para enfiar ali, muitas flandres de bolo:
cariri, caridade, e os sequilhos de casa,
pamonha, manauê, a peta, o engana-tolo.

Visitas da cidade os carros vêm trazer.
Chega o compadre branco e também chega o preto,
que as honras têm iguais no trato a receber,
e a carne vai servir aos dois no mesmo espeto.
Feliz o fazendeiro, exige na festança
tudo que há de melhor, fartura sem rival,
porque sempre viveu e vive na abastança,
que tributar desvelo é dom patriarcal.

E junho se derrama, alegrando as Fazenda
como o dinheiro do gado após a apartação,
transportando o Divino, a colher oferendas,
trazendo o boi-bumbá na festa de São João.

sábado, 23 de maio de 2009

Velhos novos tempos


Outro dia de postagem regido pelo caos...

Pra começar, os nossos sites de apoio resolveram não aceitar nosso material de hoje. E para terminar, o próprio Blog não queria aceitar nosso material de hoje!

Mas depois de várias tentativas, nossa equipe incansável - sem querer nos enaltecer, mas já o fazendo - venceu a tecnologia mal-intencionada e conseguiu publicar as matérias previstas para essa edição do TWP.

Hoje, 23 de maio de 2009, foi um dia que serviu de teste para nosso blog. O novo layout mostrou-se um pouco trabalhoso, no que se refere a atualização das matérias e dos "DESTAQUES DA SEMANA", essa mensagem que você vê correr aí em cima. Mas nada que não valha o esforço e a tentativa de fazer um trabalho bem feito!

Mas falando de "realidade-real", durante esta semana vivemos, em nossa quase cidade-verde, um momento de calmaria após a tempestade - literalmente. É tempo de avaliar os prejuízos das enchentes, da greve de ônibus e de avaliar a conduta de nossos governantes. É tempo de temer das doenças que emergem em meio às consequências de nossa irresponsabilidade enquanto cidadãos teresinenses, tanto as doenças que castigam nosso corpo, quanto as que degradam a nossa mente.

Mas antes de tudo, caro leitor, é tempo de desconfiar daquilo que nos é dito; de aprendermos com nossos erros; e por que não também aprender com os erros alheios?

Alagamentos e greves de ônibus, como sabemos, acontecem todos os anos em nossa cidade. É quando a cidade para e pensa, se solidariza, mobiliza...quando a cidade mostra sinal de vida, por assim dizer.

É lamentável tal situação de calamidade pública. É lamentável que nosso povo aprenda tão pouco com a dor da perda. Mas o mas lamentável de tudo, é que nosso povo não aprende a evitar os mesmos erros de sempre.

Assim a sociedade teresinense "segue novos rumos, vende-os e volta aos velhos tempos".

sábado, 16 de maio de 2009

Visual renovado e esforços recompensados


Aos 13 dias de vida, decidimos inovar um pouco. Adicionamos novas seções ao nosso Blog e novas ferramentas de mídia. A mudança veio para presentear você leitor, mas também recompensar os esforços de nossa equipe, principalmente depois do tão caótico dia de postagem número 2.

O motivo de tanta correria foi um só: Intercom Nordeste 2009. Todas nós da equipe do TWP estávamos envolvidas em atividades de coordenação e organização do evento e, justamente no nosso dia sagrado - o dia que temos a bela obrigação de cumprir nossos compromissos com você, caro leitor - tivemos que nos afastar um pouco da virtualidade e "por os pés no chão".

Os motivos foram vários... Não podíamos arcar com nossas responsabilidades como monitoras do evento e postar as matérias ao mesmo tempo. Os aparatos técnicos para a atualização do Blog não estavam muito acessíveis – e nem muito eficazes - naquele dia.

Utilizamos o computador do caótico Departamento de Comunicação Social da UFPI, o qual atendia as necessidades dos coordenadores do Intercom, dos palestrantes e, claro, dos vários "por favor, me deixa usar o computar só um minutinho?”, que de minutinho em minutinho nos levavam ao desespero por não conseguir postar a tempo.

Foi um dia difícil para todas nós. Por isso, caro leitor, nossas matérias do dia 15 de maio vieram ao ar tão tardiamente.

Mas esperamos que tenham gostado de nosso presente e que nossas matérias tenham recompensado a nossa falta de pontualidade.

Um grande abraço a todos e obrigada por nos acompanhar!


Equipe TWP